Audiência pública convocada pela vereadora Amanda Gurgel (PSTU) debateu a luta dos garis de Natal contra o aumento na jornada de trabalho e a ameaça de demissão. Trabalhadores da limpeza pública lotaram a Câmara Municipal e também denunciaram as condições desumanas a que estão submetidos no dia a dia. 

AUD. PUBLICA (27)

A vereadora Amanda Gurgel (PSTU) realizou na terça-feira (11) uma audiência pública para discutir a luta dos garis contra o aumento na jornada de trabalho e a ameaça de demissão que dez trabalhadores estão sofrendo. Os garis lotaram o plenário da Câmara Municipal de Natal para participar da audiência, que também contou com a presença de sindicatos, movimentos sociais e da Central Sindical e Popular – Conlutas.

Em julho, a Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana) publicou uma portaria que altera a carga horária dos garis que fazem a coleta de lixo na Zona Norte da cidade. Antes, eles trabalhavam em regime de 36 horas semanais e agora precisam cumprir uma jornada de 44 horas. Desde a publicação da decisão da empresa, os trabalhadores estão mobilizados e realizaram uma greve entre os dias 10 e 13 de julho.

No início deste mês, dez garis foram notificados pela empresa sobre a abertura de processos administrativos de demissão por justa causa. “São dez trabalhadores, pais e mães de famílias, que podem ser demitidos porque estão reivindicando da Prefeitura e da Urbana a permanência da jornada de 36 horas e o fim das condições subumanas de trabalho. Não podemos aceitar esses ataques.”, disse Amanda.

Condições desumanas

Na audiência, os garis denunciaram a pesada jornada e as condições desumanas de trabalho a que estão submetidos. Por dia, os trabalhadores correm entre 25 e 30 km e carregam em média 3 toneladas de lixo durante a coleta. Para piorar, eles realizam o trabalho sem equipamentos de proteção e até mesmo sem banheiros químicos nos trechos que percorrem. Os garis, inclusive as mulheres, muitas vezes são obrigados a fazerem as necessidades fisiológicas nas ruas, em terrenos baldios. “Eu já fiz na rua, coberta por um pano, porque não tem banheiro químico pra gente. Hoje estou doente, com infecção urinária, porque tenho que prender o xixi.”, desabafou Ana Cristina Santos, trabalhadora da limpeza pública durante a audiência.

AUD. PUBLICA (31)Ana Cristina, que fez parte do comando de greve e permanece no comando de mobilização, também está entre os dez garis que enfrentam a ameaça de demissão da Prefeitura. Mas a trabalhadora não se deixou intimidar. “Eu trabalho, cumpro meu contrato de trabalho e exijo, não estou pedindo não, estou exigindo os meus direitos, a minha dignidade. E não vou abaixar a minha cabeça pra ameaças.”, afirmou.

A Prefeitura de Natal foi convocada para a audiência, mas enviou apenas o secretário adjunto do Gabinete Civil, Daniel Bandeira, que disse estar ali somente para ouvir as demandas e levá-las ao Executivo. Ele declarou ainda que não tinha conhecimento técnico para discutir o tema da jornada de trabalho. Da tribuna da Câmara, um gari rebateu o secretário adjunto. “Secretário, não precisa ficar anotando nada aí nesse papel, não. O prefeito e o diretor da Urbana já conhecem nossa pauta. Nós queremos é resolver os problemas. Fizemos uma paralisação justa, por condições dignas de trabalho, somos seres humanos.”

Contra as demissões

Ao final da audiência, a vereadora Amanda Gurgel exigiu que o prefeito Carlos Eduardo (PDT) e o diretor da Urbana, Sávio Hackradt, arquivem todos os processos de demissão. Amanda também reafirmou seu total apoio às reivindicações dos trabalhadores, como a manutenção das 36 horas semanais e a garantia de condições de trabalho. Emocionada, e num gesto simbólico, a vereadora vestiu a farda dos garis e convocou todos a fazer o mesmo. “Nessa luta contra as demissões, somos todos garis!”, disse Amanda.

O mandato e o PSTU vão realizar uma campanha em defesa dos garis, tomar iniciativas legislativas e buscar o apoio da população para que a Prefeitura atenda a pauta dos trabalhadores. (Fotos Marcelo Barroso)

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