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O Bloco Cuscuz Alegado levou irreverência e protesto para o carnaval de Natal, em Ponta Negra, na tarde deste sábado (14). Ao som animado da Banda Marcial Nestor Lima e do grupo musical Resistência da Lata, o bloco arrastou professores, servidores da saúde, estudantes e foliões de outras categorias, indignados com a política de austeridade dos governos e a falta de água.

Com paródias de marchinhas tradicionais, o “Cuscuz” denunciou o aumento da gasolina, da energia elétrica, a corrupção na Petrobrás e a restrição do acesso ao seguro-desemprego e auxílio-doença, medidas tomadas pelo governo Dilma (PT), que, seguindo o exemplo do PSDB, atacam os trabalhadores e os mais pobres. “Governo Dilma / Por que o arrocho / Tem que ser no meu salário? /Quero ver a minha energia ficar sem aumento / E que quem sofra a crise seja o empresário!”, cantavam no bloco.

O prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), e o governador do RN, Robinson Faria (PSD), também não escaparam da língua afiada dos foliões do Cuscuz Alegado. Nas placas cheias de ironia e humor, o bloco criticou o prefeito de Natal por querer construir uma marina na cidade, quando os serviços de saúde e educação vivem uma situação dramática, com a falta de ácido fólico nas unidades básicas e creches sendo fechadas. Recentemente, o prefeito vetou uma emenda da vereadora Amanda Gurgel (PSTU) ao orçamento que destinava R$ 3 milhões para iniciar a construção do primeiro hospital municipal de Natal. Amanda, que esteve no bloco, já anunciou que pretende lutar para derrubar o veto na Câmara.

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O novo governador do Estado, Robinson faria, foi lembrado no Cuscuz pela decisão de aumentar o próprio salário em 100%, assim que assumiu o cargo, e de elevar também os salários de seus secretários, enquanto falava em medidas para conter gastos públicos. Por outro lado, a mesma agilidade em aumentar os salários no governo não se vê quando o assunto é melhorar a educação. A professora Dorinha Arruda, símbolo da recente luta pela reabertura da Escola Estadual Manoel Dantas, participou do Cuscuz Alegado e criticou o governo por fazer “corpo mole” para reequipar a escola a tempo do início das aulas no dia 2 de março.

Formado em 2012 por um grupo de professores indignados com o caos na educação pública, o Cuscuz acabou atraindo foliões de outras categorias ao longo da sua formação, exatamente por resgatar a irreverência do carnaval e seu perfil popular. Em sua quarta edição de folia e protesto, o bloco animou a festa neste sábado, carnavalizando as lutas e politizando a avenida, com muito cuscuz temperado distribuído aos foliões.

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