12063331_437473209773004_6322934468556055339_n

O mandato da vereadora Amanda Gurgel (PSTU) realizou a II Jornada da Educação Pública de Natal, nos dias 16 e 17 de outubro, para debater os problemas do ensino, apontar soluções para eles e organizar a luta contra os cortes no orçamento.

No dia 17, o evento promoveu a mesa redonda “A luta em defesa da educação pública: o projeto educacional que queremos”, com a professora Marinalva Oliveira (ANDES) e a professora e vereadora Amanda Gurgel (PSTU).

O encontro mobilizou cerca de 180 pessoas, entre professores e estudantes, que participaram de palestras, apresentações culturais e grupos de discussão na Pinacoteca do Estado e no IFRN da Cidade Alta, em Natal.

“Nossa luta é pelo caráter público da educação no Brasil”

Representante do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), a professora Marinalva Oliveira afirmou que o projeto dos governos, desde os anos de 1990, é retirar do Estado a responsabilidade pelas políticas públicas, como a educação. A dirigente sindical explicou que os governos dizem que é preciso enxugar o Estado justamente para cortar os direitos sociais, ainda mais em tempos de crise.

12141542_437473213106337_6001217094698162496_n

“Por causa da crise econômica, o governo Dilma alega que precisa de um ajuste fiscal e de cortes bilionários no orçamento. O interessante é que estes ‘ajustes’ vêm justamente nas políticas sociais, como educação, saúde e direitos trabalhistas. Em 2015, os cortes na educação atingiram as universidades e institutos federais nas questões básicas, como pagamento de água e luz.”, lembrou Marinalva.

Mas os cortes na educação pública, segundo a professora, não são feitos apenas em função da crise econômica. Fazem parte de um projeto e de escolha política do governo. O objetivo é retirar cada vez mais dinheiro das universidades públicas para poder privatizar o ensino. “Se tem uma crise, por que continua o repasse de dinheiro público para o setor privado? O governo cortou esse ano R$ 11 bilhões da educação pública, mas gasta R$ 17 bilhões com o FIES nas faculdades privadas.”, criticou.

Marinalva Oliveira destacou a importância das greves de professores que ocorreram no Brasil este ano, como a das universidades e das redes básicas. Mas apontou a necessidade de unificar toda essa energia em um movimento nacional para defender a educação pública. “Nós temos que unir todos os trabalhadores em defesa da educação pública. Não podemos deixar retroceder nenhum direito. Nossa luta é pelo caráter público da educação no Brasil, da creche até a pós-graduação.”

“O capitalismo é incompatível com o projeto de educação que nós queremos”

A professora e vereadora de Natal pelo PSTU, Amanda Gurgel, disse que os problemas da escola pública tem uma raiz muito mais profunda do que se imagina e que eles refletem a desigualdade da sociedade capitalista. A vereadora deu o exemplo da fábrica de confecções Guararapes, na região metropolitana de Natal. “Os sete donos da Guararapes, da família Rocha, lucram por mês, cada um deles, nove milhões de reais, mas pagam um salário mínimo às costureiras. Vocês sabem quando é que nós, professores, vamos ter um milhão de reais no bolso? Só depois de 35 anos de serviço. Isso se a gente não gastar um centavo do nosso salário. Não há justiça nesse sistema, que só existe para beneficiar uma minoria rica, proprietária dos meios de produção.”, analisou Amanda.

12112185_437473479772977_6850504320752626334_n

A vereadora do PSTU explicou que a desigualdade e a injustiça sociais do capitalismo se expressam também na forma como os governos tratam os serviços públicos, como a educação que é oferecida aos trabalhadores e ao povo mais pobre. Amanda destacou que a escola pública hoje é uma máquina de moer talentos de alunos e professores. “Um aluno que não tem professor de física durante o ensino médio jamais vai saber se ele poderá ser um grande cientista, jamais fará descobertas que contribuirão com o progresso da humanidade. E vocês acham que tem algum governo interessado em saber se os filhos dos pobres vão ser cientistas, engenheiros ou médicos? Não há governo interessado nisso dentro do capitalismo. O capitalismo é incompatível com o projeto de educação que nós queremos.”, afirmou a professora.

Amanda Gurgel defendeu que a educação pública necessária aos filhos dos trabalhadores precisa do investimento imediato de 10% do PIB nacional, o que representaria um acréscimo de aproximadamente R$ 500 bilhões. “Para todos os governos até hoje, do PSDB ao PT, esses recursos não existem para a educação pública. Mas existem R$ 980 bilhões todos os anos só para pagar os juros da dívida pública aos banqueiros, uma dívida que os trabalhadores não fizeram.”, criticou a vereadora, que também defende a federalização de todo o ensino público no país.

Respondendo à pergunta sobre qual projeto educacional defende, a professora foi contundente ao afirmar que a educação precisa emancipar as pessoas e dar a elas o direito de desenvolverem seus talentos. “A gente só quer que os filhos dos trabalhadores tenham condições de desenvolver seus talentos, que os professores tenham condições de aprimorar os talentos dos alunos e que eles possam ficar o dia inteiro na escola aprendendo conhecimentos científicos das mais diversas disciplinas. Isso é muita coisa? Não, isso não é nada. Sabe por quê? Porque isso existe para quem é rico. Não há como lutar por uma educação pública de qualidade se não for lutando contra o capitalismo.”, finalizou Amanda.

As atividades do evento

Além da mesa redonda, o segundo dia da Jornada também realizou debates em grupos temáticos sobre diversos aspectos da educação, como o adoecimento dos professores, gestão democrática, diversidade étnica, cultural e de gênero e o Plano Nacional de Educação. O evento ainda contou com muitas apresentações culturais durante os dois dias, como o Grupo de Dança da Escola Municipal Mª Cristina Ozório Tavares; o Coral Flor de Cacto, da Escola Municipal Prof. Amadeu Araújo; declamação de cordelistas e os shows de encerramento, com MaGo daSilva e d malassomBROSband, além das bandas Modelo 13 e Bambelô Maçarico da Praia.

12002210_437473093106349_6480938219230521864_n

A II Jornada da Educação também montou um Espaço Infantil para acolher os filhos e filhas dos participantes do encontro, com pedagogas e recreadoras que realizaram oficina de brinquedos, contação de histórias, exibição de desenhos e brincadeiras populares. (VEJA MAIS FOTOS AQUI)

Confira os grupos de discussão

Grupo 1 | O Plano Nacional da Educação (2014-2024) é mesmo a saída? (Prof. Rogério Gurgel e Prof. Gilmar Guedes, da UFRN).

Grupo 2 | A precarização na educação e o adoecimento do professor (Profª Karina Cardoso, da UFRN, e Profª Socorro Ribeiro, do SINTE de Extremoz).

Grupo 3 | A quem serve a crise da educação pública? (Prof. Magnus Barros, da UFERSA, e Prof. José Mateus, do IFRN).

Grupo 4 | A importância da Gestão Democrática: desafios e perspectivas em Natal e no RN (Prof. Sueldes Araújo, da UFERSA, e Profª Lílian Araújo, diretora da E. E. José Fernandes Machado).

Grupo 5 | Diversidade étnica, cultural e de gênero: a escola como um instrumento no combate às opressões (Profª Tânia Maria, da UFRN e Rebecka de França, da Associação de Transexuais Potiguares).

Grupo 6 | A crise econômica e a saída para os trabalhadores (Prof. Dário Barbosa, da E.M. Prof. Reginaldo Ferreira Neto).

Facebook Comments