Facebook Comments
O início da militância no Movimento Estudantil

Amanda Gurgel de Freitas nasceu no dia 1º de agosto de 1981, em Natal. Desde jovem, identificou-se com a luta em defesa da educação pública. Amanda é formada em Letras pela UFRN, com habilitação em Língua Portuguesa e especialização em Educação de Jovens e Adultos (EJA). Durante a faculdade, Amanda morou na residência universitária e trabalhou para se manter no curso. Deu aulas no cursinho preparatório do Diretório Central dos Estudantes da UFRN e foi vendedora no comércio. Assim como para a maioria dos jovens pobres, a vida da futura professora também não foi fácil. A luta pelos direitos da juventude começou neste período, no movimento estudantil. Amanda foi membro do Centro Acadêmico de Letras, do DCE e participou ativamente de diversas lutas dos estudantes, como contra a cobrança de taxas na UFRN, pela abertura da “caixa preta” do Seturn, por mais circulares na universidade e melhorias na assistência e por moradia estudantil.

Amanda Gurgel, no lançamento do livro Crônicas do Nova Natal, resultado de seu projeto com os alunos do Amadeu Araújo, no Conjunto Nova Natal.
A vida como professora e a luta política

Quando entrou para a rede pública de ensino, em 2005, a professora Amanda Gurgel viveu ainda mais de perto as péssimas condições das escolas e os salários humilhantes, como o que o governo do RN pagava em 2011, de R$ 930. Amanda deu aulas nas Escolas Municipais João XXIII e Professor Zuza, mas foi na Escola Estadual Myriam Coeli e na Escola Municipal Amadeu Araújo, ambas no conjunto Nova Natal, na Zona Norte, que a professora trabalhou nos últimos anos. Todos os dias eram três ônibus para chegar ao trabalho, e mais dois para voltar. Uma jornada exaustiva. A força para continuar defendendo a educação pública Amanda encontrou na luta política e nas greves da categoria. Seguiu em frente mesmo com as traições da direção do sindicato, ligada ao PT. Em 2010, a professora entrou para o PSTU, com o qual rompeu politicamente em 2016.

O dia em que Amanda calou o governo e os deputados

No dia 10 de maio de 2011, numa audiência pública na Assembleia Legislativa, em meio a uma das maiores greves dos professores no RN, ganhou destaque a denúncia de uma professora que não aguentava mais o descaso dos governos e a cara de pau dos políticos. Na frente da secretária de Educação, Betânia Ramalho, representando o governo Rosalba (DEM), da promotora da educação, e dos deputados estaduais, Amanda Gurgel disse tudo o que estava preso na garganta de professores, alunos e da população em geral. O vídeo foi parar na internet e ganhou repercussão imediata, com milhões de visualizações. A professora que “calou os deputados” percorreu o País em apoio às greves de professores que aconteciam e se transformou num símbolo de luta pela educação pública.

Amanda na festa de encerramento da campanha
Um recado aos políticos tradicionais

Foram 32.819 votos... 32.819 gritos de “chega!”. A eleição da professora Amanda Gurgel como a vereadora mais votada da história de Natal foi um recado aos políticos tradicionais. Um recado de milhares de trabalhadores e jovens, cansados do caos na educação, na saúde, no transporte, e em tudo que é essencial para a população. Indignados com as promessas, a corrupção, a velha política. A campanha e a eleição de Amanda expressaram um desejo de mudança. As pessoas se envolveram, retomaram a vontade de lutar para mudar as próprias vidas, e este é o sentimento que move o mandato. Na Câmara, a vereadora pode até ser minoria, mas nas ruas não é. Depois da chegada da professora, a vida dos políticos tradicionais nunca mais foi a mesma.